quinta-feira, 3 de outubro de 2024

W. B. Yeats: Leda e o Cisne

Leda e o Cisne
W. B. Yeats

Um baque surdo. A asa enorme ainda se abate
Sobre a moça que treme. Em suas coxas o peso
Da palma escura acariciante. O bico preso
À nuca, contra o peito o peito se debate. 

Como podem os pobres dedos sem vigor
Negar à glória e à pluma as coxas que se vão
Abrindo e como, entregue a tão branco furor,
Não sentir o pulsar do estranho coração?

Um frêmito nos rins haverá de engendrar
Os muros em ruína, a torre, o teto a arder
E Agamemnon, morrendo.
Ela, tão sem defesa,

Violentada pelo bruto sangue do ar,
Se impregnaria de tal força e tal saber
Antes que o bico inerte abandonasse a presa?

Torquato Neto: Pra dizer adeus

Pra dizer adeus
Torquato Neto

Adeus
Vou prá não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sózinho

Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah! pena eu não saber
Como te contar
Que esse amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus