Acontece na conversa o que acontece com os escritores, muitos dos quais, a princípio, considerados novos de ideias e capazes de exprimi-las originalmente, agradam muito; depois, na medida em que os lemos, entediam-nos, pois parte de seus escritos é imitação da outra. Assim é ao conversar: as pessoas novas muitas vezes são elogiadas e apreciadas por seus modos e discursos e, com o convívio, causam tédio e caem na estima, pois os homens, alguns menos e outros mais, quando não imitam os outros, necessariamente são imitadores de si mesmos. Porém, os que viajam, especialmente se são homens de algum engenho e dominam a arte de conversar, deixam facilmente de si, nos lugares por onde passam, uma opinião muito superior à verdadeira, pela oportunidade que têm de esconder o que é um defeito ordinário dos espíritos, isto é, a pobreza. Isso porque se acredita que aquilo que ele mostra em uma ou em poucas ocasiões, falando principalmente de assuntos pertinentes a si, nos quais, mesmo sem usar artifícios, é conduzido pela cortesia e pela curiosidade dos outros, não seja a sua riqueza toda, mas uma mínima parte dela, ou melhor, o dinheiro a gastar no dia e não, como frequentemente é, a soma toda ou grande parte dela. Essa crença permanece estável por falta de ocasiões que a destruam. Por outro lado, causas símiles fazem com que os viajantes estejam sujeitos a errar, superestimando pessoas com poucas capacidades, as quais surgem em seu caminho nas viagens.
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