quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Camadas filosóficas na literatura fantástica: o caso do espelho

Em seu conto “Carta de um louco”, publicado em 1885, Guy de Maupassant põe-nos diante da inquietante relação que estabelecemos com aquilo que observamos diante de um espelho. Antes dele, Machado de Assis analisara nossa relação com o espelho em seu conto “O espelho”, publicado em 1882, formulando o que o subtítulo anuncia como um “esboço de uma nova teoria sobre a alma humana”. Também Guimarães Rosa envereda pelo mesmo tema em conto de mesmo título — “O espelho” —, conto que aloja-se no centro das narrativas incluídas no livro Primeiras Estórias. Nesta comunicação, pretende-se sondar algumas das camadas filosóficas que poderíamos delinear a partir da leitura dos três contos mencionados. Isto é, que tipo de orientação metafísica se encontraria subjacente ao tratamento dedicado à nossa relação com o espelho por parte de Guy de Maupassant, Machado de Assis e Guimarães Rosa? Como, e em quais bases, cada um deles equaciona as doses de ilusão e desilusão em que um espelho é capaz de nos abismar? Nos termos de Todorov, estaríamos diante do dilema proposto pelo fantástico (acreditar ou não acreditar?), ou diante da união impossível proposta pelo maravilhoso (acreditar sem acreditar verdadeiramente)? É possível decidir tais questões?

Atualização: resumo aprovado para o congresso! Apresentação em outubro!

Nenhum comentário: