Sonetos a Orfeu, 4, parte 2
Rainer Maria Rilke
Eis o animal que não existe!
Eles não sabiam, mas em todo caso
O amaram — suas andanças, sua postura
Seu pescoço, até a luz de seu olhar tranquilo
Certamente não existiu. Mas porque o amaram,
Tornou-se puro animal. Deixaram sempre espaço.
E, no espaço, levantou ligeiramente a cabeça,
Calmo e contido, mal necessitava
Ser. Eles não o nutriram de grão
Apenas, para sempre, da possibilidade de ser.
E essa deu tamanha força ao animal
Que ele fez brotar de sua testa um corno. Unicórnio.
Passou por uma virgem, todo branco —
E existiu no espelho de prata e nela.
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