Ela, que naquela noite dormiu com um deus
sem o saber — só o seu cheiro de macho
e o seu peito largo e peludo, quase o mesmo do marido,
e, no entanto, tão diferente, levou-a a suspeitar de alguma coisa —,
ela ia agora ter de deitar com um simples homem?
E o que importavam agora os
presentes de Anfitrião, ou mesmo os doze trabalhos que tornariam
seu filho imortal, e a ela também, por conseqüência?
Ela só relembra uma noite, aquela, e espera por
uma noite apenas, de novo, na hora em que lá fora, no jardim,
a Grande Ursa brilha ao lado de Órion, prateado.
— Ó, deus, que cheiro doce tinham aquelas rosas!
Ela se arruma, quando o marido sai. Está sempre pronta.
Depois do banho, põe seus brincos de novo, suas pulseiras,
deixa-se ficar nua na frente do espelho, escovando seu cabelo,
longo ainda, espesso ainda, mas já pintado, seco, sem o antigo viço.
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